A gente não consegue esquecer daquilo que nos fez bem. Nem deve. Nem quer. Talvez com o tempo possamos ressignificar o Amor, dar-lhe outro nome, outro sentido ou outro endereço. Talvez possamos, com o tempo, falar nele sem chorar e quem sabe assim melhor o apreciemos. Talvez depois o amor possa ter outro movimento dentro, outro movimento fora. Talvez, com o passar do tempo, aprendamos a lidar melhor com o fato de que nem sempre ficamos com o grande amor de nossas vidas... mas esquecer não, a gente nunca esquece! Sempre vai existir aquela lembrança que explode dentro da gente e rompe com aquilo a que chamamos de força. Talvez depois de um certo tempo aprendamos a lidar com esta explosão. Eu ainda não aprendi. Talvez que possamos reler as coisas ditas sem nos sentir tão quebrados dentro. Talvez consigamos levantar um dia e passar vinte e quatro horas sem nenhum pensamento, nenhuma distorção. Talvez consigamos deixar de falar desse amor na terapia e elevemos ele à instância do silêncio - consciente -. Talvez possamos ir à praia e ver no infinito do oceano tão somente algo bonito onde o sol desce e expande sua luz. Talvez aprendamos. A vida continua, apesar de tudo, mesmo quando algumas coisas param. Não da mesma forma, obviamente.Talvez hajam sentimentos que não cessem nunca, mas ainda assim evoluem e, desse modo, podem ganhar outra dimensão. O eterno existe, eu sinto, ele só não é linear... "Até o último suspiro" é possível sentir a vida, tudo que nela se passou e todas as grandes vivências que pudemos experienciar. As coisas mudam, de fato, ganham outros rumos. Mas elas não morrem. O que morre somos nós, porque somos impermanentes. O amor não, ele é infinito.