Única foto que tenho junto à minha mãe, quando criança. Um mês de nascido.


Houve um tempo em que você era o meu mundo, mãe. E éramos nós, apenas. Eu te habitava. Era no tempo em que eu cabia todo nos teus braços. Era no tempo em que eu não me havia. "Deixe-me ir", eu te disse aos 21 anos... e não te trouxe comigo. Só Deus sabe o quanto eu te procurei depois disso. No amor, na cidade, nas mulheres, no meio da multidão. Nos meus amigos, nas minhas viagens. Nas minhas escolhas. "Cuida de mim", eu pedia enquanto caminhava na estrada. "Cuida de mim", era o que eu sabia dizer. Ainda me lembro do primeiro inverno sozinho depois de ter saído de casa. Eu vi a chuva cair sobre a minha pele e levar o barro dos meus pés. Fiquei doente. "Cuida de mim", desejava. Mas o mundo é tão grande, mãe, e tão difícil. Fiz minha primeira viagem. Conheci novos amigos. Tive um primeiro emprego. Até me apaixonei. Foi quando eu passei a dizer "eu te amo (cuida de mim?)". Descobri coisas novas, pessoas diferentes, momentos, lugares, sentimentos, sensações. Me descobri também. Senti tanta saudade, tanto amor, tanta solidão. Quebrei algumas vezes. Doeu. Aprendi tanto, mãe. Agora chegou um tempo em que o mundo é o mundo em si. Às vezes eu sinto tanto medo.O mundo é frio, mãe, como aquele primeiro inverno... e a vida, ela apenas continua em uma sempre única direção. Estou com saudade. Como estão as coisas aí, mãe? Você tem cuidado de você? Eu estou cuidando de mim.